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Grupos de ódio na internet miravam negros, gays e mulheres, diz PF

R7    

10 de Maio de 2018 as 17:37

Divulgação

Marcelo Valle Silveira Mello, também conhecido como Psy ou Batoré, foi preso em casa, no bairro de Campo Comprido, em Curitiba.

Racismo, ameaças de bombas, incentivo ao estupro de mulheres e incitação ao assassinato de gays são as principais suspeitas investigadas pela Polícia Federal contra um grupo de pessoas que cometia os crimes de forma anônima em fóruns na internet.

A Polícia Federal mobilizou 60 agentes nesta quinta-feira (10) para deflagrar a operação Bravata nos municípios de Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife (PE), Santa Maria (RS) e Vila Velha (ES). Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva.

Marcelo Valle Silveira Mello, também conhecido como Psy ou Batoré, foi preso em casa, no bairro de Campo Comprido, em Curitiba. Ele é um velho conhecido da Polícia Federal por ter sido preso, em março de 2012, durante a operação Intolerância, que também investigou crimes de ódio na web e deu origem à operação desta quinta.

Condenado em 2013, Mello voltou para as ruas em maio de 2015 e retomou a prática dos crimes, de acordo com as investigações da PF. O investigado também é conhecido por ser a primeira pessoa condenada pela Justiça do Brasil por racismo na internet, em 2009, quando se posicionou contra as cotas raciais de maneira preconceituosa.

O R7 conversou com o advogado que defendeu Mello nas ações anteriores. Ele declarou que tomou conhecimento da prisão pela imprensa e que não teve acesso às investigações. O advogado também disse que ainda não foi procurado pela família do suspeito e, por isso, não sabe se irá defendê-lo no novo caso.

Mello vai responder pelos crimes de racismo, associação criminosa, incitação ao crime, ameaças a autoridades públicas e a pessoas e terrorismo.

Fórum Dogolachan

As investigações que levaram à operação Bravata começaram em 2012, de acordo com o delegado Flávio Augusto Palma Setti, da Polícia Federal no Paraná, a partir de elementos colhidos durante a operação Intolerância.

O longo período até a operação de hoje se deve à quantidade de fatos e atos criminosos cometidos no período, "que foram se acumulando e tomando magnitude muito grande", segundo Setti, principalmente após 2015, quando o suspeito saiu da prisão.

Mello criou em 2013 o fórum Dogolachan, que dissemina ódio nas redes sociais, de forma anônima, com conteúdo racista, homofóbico, machista, nazista e até pedófilo. Reportagem do R7 de janeiro deste ano mostrou como os criminosos aproveitam o ambiente virtual para a prática dos crimes, além das dificuldades enfrentadas pela polícia para fazer a investigação.

Apesar da quantidade de material analisado, os agentes realizaram apenas uma prisão por não haver provas do envolvimento de outros suspeitos, segundo explicou o delegado em coletiva de imprensa em Curitiba.

A PF destacou que nenhuma das ameaças foi concretizada, o que remete ao nome da operação, "bravata": "modo de agir de quem faz alarde de uma coragem que não possui", publicou a corporação em nota.

Entre as comunidades criadas na organização de Mello estavam: "Nem toda mulher gosta de ser estuprada, só as normais"; "Estupre e mate. Mesmo se não fizer, será acusado disso"; "Queime todos os homossexuais e acabe com a Aids"; e "Estuprar lésbica é questão de honra, glória e bem estar social".

— Todos [os fóruns] eram ilustrados com imagens muito fortes, de pessoas esquartejadas, mulheres amarradas, situações de violência muito evidentes. O que era tratado refletia exatamente esse conteúdo. Além de difundir, eles incentivavam que se cometesse esse tipo de crime.

De acordo com Setti, um "turbilhão de denúncias" foi recebida por órgãos policiais e Ministério Público em várias cidades do Brasil, mas acabou se concentrando na PF do Paraná, que já realizava a investigação.

— Eles pregavam ideias racistas, com tom discriminatório. Um dos principais focos era discriminação a mulheres. Ameaças também foram feitas por integrantes desse grupo a autoridades dos mais diversos poderes, como policiais, juízes, procuradores, além de ameaças de bomba em mensagens encaminhadas para universidades e órgãos públicos.

O grupo utiliza sites abertos e que podem ser facilmente acessados por qualquer pessoa, segundo a PF, mas alguns cuidados são tomados para dificultar a identificação dos suspeitos, como "ferramentas bastante avançadas de segurança da informação".

A maiorida dos servidores ficam fora do Brasil e na "deep web" ("internet profunda", em tradução do inglês, que se refere à parte do contéudo virtual que não é acessada pelos mecanismos de busca).

— Grande parte [dos sites] ficava no ar por um periodo e em seguida era tirado do ar. Depois criavam novo endereço, novo site e continuavam a praticar os atos. 











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