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Serra diz que governo pode subir tom em resposta a críticas externas

DO G1    

15 de Maio de 2016 as 09:12

Divulgação

Cinco países da América Latina e a Unasul criticaram afastamento de Dilma.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou neste sábado (14) que o governo do presidente em exercício Michel Temer poderá adotar tom ainda “mais forte” para rebater às críticas de países e organizações que qualifiquem como golpe o afastamento e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Serra fez a declaração em entrevista à TV Globo. Na sexta (13), o ministério comandado por ele divulgou duas notas oficiais de repúdio a críticas de representantes de cinco países latino-americanos e também do secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, que se posicionaram contra o afastamento de Dilma.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chamou de volta o embaixador do país no Brasil em protesto contra o processo de impeachment.

 “A nossa preocupação é esclarecer as inverdades que têm sido ditas a respeito do processo brasileiro [de impeachment]. Tudo o que está acontecendo aqui no plano político, de afastamento de presidente, de julgamento de impeachment, está previsto dentro da Constituição, está dentro da legalidade democrática”, disse Serra ao ser perguntado sobre a crise diplomática com os vizinhos venezuelanos.

Questionado sobre o tom das notas divulgadas na sexta e se elas indicavam mudança na forma de o governo brasileiro fazer política externa, Serra disse que as respostas do governo serão proporcionais às críticas vindas do exterior.

“O tom das notas corresponde às falsidades que estão sendo debatidas. Quanto maiores as falsidades, mais forte será o tom. Quanto menores, menos forte é o tom.”

Reação na América Latina

Também na sexta, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu ao embaixador do país no Brasil, Alberto Castellar, para retornar a Caracas. A medida foi uma reação ao afastamento de Dilma da presidência brasileira. O chefe do governo venezuelano classificou o afastamento como um "golpe de Estado".

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela divulgou um comunicado condenando o processo de impeachment. "A Venezuela rejeita categoricamente o golpe de Estado feito pelo parlamento que está ocorrendo no Brasil, o qual, via farças judiciais das forças oligárquicas e imperiais, visa derrubar a presidente e derrubar a soberania popular", diz trecho da nota.

  O presidente da Bolívia, Evo Morales, também se manifestou contra o afastamento de Dilma. Ele publicou uma mensagem de solidariedade a ela, no Twitter, e afirmou que estava indignado com "o golpe congressista e judicial".

Por meio de nota, o governo de Cuba disse denunciava repetidamente o "golpe de Estado parlamentar-legal, disfarçado de legalidade que está se gestando durante meses no Brasil". "Hoje [quinta] foi consumado um passo fundamental para os objetivos golpistas", destacou o comunicado do governo cubano.

Também por meio de uma nota divulgado por sua chancelaria, o governo do Equador falou em "alteração da ordem constitucional" no Brasil.

"Diante da ameaça de uma grave alteração da ordem constitucional, de profundas consequências para o conjunto da região, o Equador apela à plena vigência de preservação das instituições democráticas e os valores que a sustentam", destaca o governo equatoriano no texto.

Nota do Itamaraty

O Ministério de Relações Exteriores reagiu divulgando comunicados, em tom forte, repudiando declarações de cinco países e do secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, sobre o impeachment.

Em um dos comunicados, o ministério diz rejeitar "enfaticamente" declarações recentes dos governos da Venezuela, de Cuba, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua, além da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Cooperação dos Povos (Alba/TCP).

Segundo o Itamaraty, esses cinco países e a Alba "se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil".

Em outro comunicado, o ministério diz repudiar as declarações do secretário-geral da Unasul. De acordo com a pasta, a manifestação do colombiano Ernesto Samper "qualificam de maneira equivocada o funcionamento das instituições democráticas do Estado brasileiro".

 











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