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27 de Abril de 2017 às 16:13

MPE investigará massacre em Colniza: assassinos "sentirão a mão pesada do Estado"

Olhar Jurídico

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Divulgação

No último dia 21, homens encapuzados invadiram a Gleba de Taquaraçu do Norte, em Colniza (a 1.065 km de Cuiabá), e mataram com requintes de crueldade nove homens.

Ainda que a região de Colniza viva “uma situação de guerra”, o Ministério Público Estadual (MPE) investigará o massacre do dia 21, atuará para resolver o conflito agrário do local e os assassinos "sentirão a mão pesada do Estado”, garantiu em entrevista exclusiva ao Olhar Jurídico o promotor de justiça Arnaldo Justino da Silva, que representou nesta manhã desta quinta-feira (27) a Procuradoria-Geral do Estado em Cuiabá. No último dia 21, homens encapuzados invadiram a Gleba de Taquaraçu do Norte, em Colniza (a 1.065 km de Cuiabá), e mataram com requintes de crueldade nove homens.

“O MPE está fazendo o que deve fazer, apurando o que ocorreu, através da Promotoria que atua nesta região possui um inquérito civil público para tentar regularizar a situação. Mas a sociedade há de convir que não é um trabalho fácil, pois lá é uma região que sempre foi problemática. Há sobreposição de áreas e um grande conflito agrário. Embora eu diga: que a população fique tranquila, pois o MPE está agindo na medida do possível, estamos exigindo do Estado. Hoje por acaso foi cancelada uma reunião em que iríamos discutir uma atenção melhor do governo e da União para aquela área, pois lá há terras indígenas, terras do Estado e que devem ser cuidadas e regularizadas pelo Intermat. É uma situação delicada e depende do esforço de todos”, avaliou o promotor Arnaldo Justino da Silva.

Para o representante de Mauro Curvo no ato que celebrou a defesa da Serra Ricardo Franco, Arnaldo Justino avaliou que esforço policial não é suficiente para a questão de Colniza, sendo necessário um esforço conjunto com o MPE e o Estado para solução do conflito agrário na região.

“Não adianta também o Estado enviar um monte de policiais para lá, sendo que as pessoas estão insatisfeitas com o resultado. É um problema do ser humano, da pessoa e um conflito antigo, precisa ser resolvido e não é fácil. Precisamos da colaboração de todos, dos proprietários de terras, dos pretendentes e do Movimento Sem Terra (MST). Precisamos da conscientização das pessoas, não só do Estado. Não adianta mandar só polícia, é preciso regularizar a área. As pessoas também precisam aceitar as decisões judiciais e cumpri-las. Graças a Deus o Estado está conseguindo ao menos apurar o que está ocorrendo. O caso chamou a atenção de todas as autoridades Estaduais e Federais. Esperados que a partir de agora consigamos fazer uma mediação entre o Estado, a sociedade civil e as pessoas envolvidas naquela situação. Aquela região parece que vive uma situação de guerra”.

Questionado, para reforçar, se o MPE atua na investigação do massacre na última semana, o promotor garante. “Não só pelo MPE, mas por todo o aparato policial do Estado, 30 policiais civis e muitos militares, todos investigando e o MPE junto e concentrado. O Promotor William Oguida está lá atento, trabalhando dia e noite e até de madrugada para apurar o caso, que está bem encaminhado e logo a sociedade terá uma resposta esperada, que é com certeza a mão pesada do MPE do Estado”.

As cerca de 100 famílias de Taquaraçu do Norte vivem uma área de 110 mil hectares e lidam com a tensão frequente motivada por ameaças de fazendeiros. O clima piorou depois do ataque do dia 21 e tem afetado mulheres e crianças, que sem suporte financeiro, da Justiça ou do Estado, testemunham o terror. Elas fazem parte das 40.028 famílias estão envolvidas em conflitos agrários violentos, com risco de morte em MT, segundo o Caderno de Conflitos Agrários.

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